Da 1ª Guerra Mundial à Lisboa dos anos 20. A história do mestre cervejeiro Albert Lourtie
Era uma vez um belga que veio para Portugal com um sonho: tornar-se mestre cervejeiro. Esse homem era Albert Lourtie, a quem a Cerveja Trindade, a Cerveja Trevo e o bisneto de Albert prestam homenageiam com uma nova cerveja.
Quando João Brazão, um dos fundadores da Cerveja Trevo e Diogo Vinagre, mestre cervejeiro na Cerveja Trindade, se juntaram para falar sobre uma nova cerveja, eis que surge a história de Albert Lourtie, que João tinha ouvido da boca do bisneto, Miguel Lourtie. Assim surge a ideia de fazer uma homenagem a este mestre cervejeiro, mesmo a tempo de celebrar os 100 anos da sua estreia como técnico cervejeiro na Portugália.
Um homem naturalmente visionário e empreendedor, Albert Lourtie (1893-1952) começou por trabalhar como mestre cervejeiro numa brasserie fundada pelo pai em Liège, na Bélgica. Em 1914, com a ocupação alemã durante a Primeira Guerra Mundial, foi tomado como prisioneiro dos alemães. Regressou no fim da guerra para encontrar a fábrica de cerveja destruída. Perante a necessidade de recomeçar uma nova vida, Albert mudou-se para Portugal, mas antes ponderou a Noruega.
Chegou a Portugal em 1918, começando a trabalhar na então Portugália como mestre cervejeiro em 1920. "O meu bisavô foi trabalhar para esta fábrica, que ficava na Almirante Reis, e morava na rua de trás, a Rua António Pedro" explicou Miguel Lourtie. Acabou por se tornar uma referência na história da indústria cervejeira nacional, acompanhando alguns dos momentos mais memoráveis da história desta bebida no nosso país.
Albert não só testemunhou como teve um papel essencial na fundação da cerveja Sagres, cuja história tem raízes no pedido que Churchill fez aos mestres cervejeiros portugueses: produzam cerveja para os soldados ingleses que estavam em Gibraltar. Mais tarde, a Sagres passou também a exportar para os Açores e para a Madeira, e também para as ex-colónias portuguesas: Angola, Cabo Verde, Guiné, São Tomé e Príncipe, Timor, Índia, Macau e Moçambique.
Fruto de um convite da cerveja artesanal Trindade à também artesanal Trevo, assim nasce a cerveja Albert Liège Spelt Ale, que recupera um estilo antigo de cerveja esquecido pelo tempo e que celebra um cereal ancestral: a espelta. O estilo Spelt Ale também tráz de volta uma tendência da cidade de Liège, onde a cerveja no século XIX e início do século XX era produzida a partir deste cereal que é muito rico nesta região, e que mais tarde caiu em desuso para se dar primazia à cevada.
Segundo as receitas antigas, recuperadas com a ajuda de um especialista holandês, a cerveja original de Liège dos anos vinte, era âmbar e era feita com 55% espelta maltada e 25% de trigo não maltado. "Era uma cerveja muito lupulada, era mais amarga do que aromática" explica Diogo Vinagre durante a prova em direto da livraria Ler Devagar. Vinagre e João Brazão inspiraram-se nesta fórmula para criar uma cerveja ancestral mas moderna. "Recriámos receitas antigas, recriando a cerveja original, e tentámos apenas uma vez. À segunda vez acertámos" explica, por sua vez, João Brazão, da Trevo, fábrica na Caparica onde foi produzida esta novidade.
Com um toque mais contemporâneo, a nova Albert Liège Spelt Ale apresenta uma mistura de malte de espelta, malte de cevada, trigo, lúpulo e levedura, com um teor alcoólico de 4,4%. De cor âmbar, tem um sabor rico a cereais e uma turvação natural derivado do uso da espelta e trigo. "Conseguimos uma cerveja com trigo de espelta maltado, que relembra as cervejas proteícas e pouco alcoólicas. É um resultado interessante" explica João.
Com uma produção total de 2 mil e 500 litros, esta nova cerveja está disponível em barril e num formato bastante inovador para uma artesanal no mercado português: uma lata de 44 cl, com um rótulo diferenciador que conta também a história de Albert - basta levantar, na ponta, o papel que envolve a lata e começar a viagem.
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