Júpiter: o vinho português que custa 1000 euros por garrafa
Os 1.000 euros por cada garrafa de Júpiter deixam-no no patamar dos vinhos portugueses mais caros. As uvas vêm das talhas da Herdade do Rocim.

Os responsáveis da "Wines From Another World" (Vinhos do Outro Mundo) recomendam a harmonização do vinho Júpiter com Space Oddity de David Bowie. A sugestão está no site com o mesmo nome em inglês que, enquanto se ouve o som que se assemelha a uma viagem no espaço, disponibiliza uma caixa para introduzir um código. A chave vem na caixa do vinho alentejano da marca Júpiter, vendido a 1.000 euros a garrafa.
A página digital materializa o projeto que se apresentou em Portugal com o lançamento, em junho, da marca Júpiter com um preço que agitou o mundo dos vinhos. O empresário e consultor vinícola Cláudio Martins, em parceria com o enólogo Pedro Ribeiro, da casa Rocim, e o fundador e diretor de arte da Sparrow Creative Solutions, Pedro Marques Antunes, decidiu criar o projeto "Wines From Another World" para comercializar uma série de vinhos e potenciar a sua compra como investimento.

O empresário quer "alavancar a marca Portugal" e "colocar os vinhos portugueses no mapa", sete anos depois de ter aberto em Londres a empresa "Martins Wine Advisor", que presta serviços de consultadoria a restaurantes e hotéis e privados.
Cláudio nasceu há 42 anos na zona do Dão, na vila de São Romão, em Seia, e recorda que em 2000, quando emigrou para Inglaterra, a sua ideia era conseguir trabalho como bartender, mas o emprego que arranjou foi num restaurante como ajudante de cozinha. Ainda assim, o empresário conta que passados nove meses chegou ao cargo de diretor do espaço. Abriu a empresa de consultadoria em vinho em 2014, onde desenvolveu as vendas, marketing e alianças estratégicas internacionais com importadores e produtores locais. Entre outros clientes, como os franceses da Liber Pater" e Boerl & Kroff, o consultor representa marcas de vinho de países tão improváveis como China, Líbano e Síria.
Relativamente aos "Wines from another world", Cláudio Martins reconhece que o projeto "agitou as águas", mas insiste que Portugal "tem que deixar de pensar pequenino". A ideia do projeto surgiu durante os anos em que participou – desde 2017 – no "Villa d’Este Wine Symposium" onde se reúnem grandes marcas de vinho como a Romanée-Conti, Liber Pater e ainda inúmeros colecionadores. Chegou a ser orador no evento em 2019, quando o país convidado foi Portugal, mas salienta que a perceção sobre os vinhos portugueses se resume a "bom, bonito e barato" e, para a maioria dos colecionadores, Portugal não é uma escolha óbvia.
Claúdio Martins avançou com uma ideia que pretende alterar esse preconceito e resolveu lançar nove vinhos: o Júpiter do Alentejo na primeira edição e um vinho do Douro a encerrar a lista. O empresário não quer ainda revelar os nomes, mas adianta que, depois do Alentejo, vai lançar vinhos de Bordéus e Champanhe, em França, de Priorat, na Catalunha, em Espanha, da Toscana, em Itália, Napa Valley, nos Estados Unidos, Mosel, na Alemanha, e Kakheti na Geórgia. Cláudio Martins não tem dúvidas que se vão tornar rapidamente "alguns dos vinhos mais cobiçados nas próximas décadas e, logicamente, o seu valor aumentará exponencialmente durante esse período".

Para o responsável, há "cinco" fatores essenciais ao vinho: "qualidade, qualidade, qualidade, storytelling e comunicação.
A escolha da Herdade do Rocim, onde foi produzido o Júpiter, foi a procura dessas condições. O enólogo Pedro Ribeiro explica que as uvas provêm de "uma parcela de 0,36 hectares chamada Vinha Micaela". Quando fez a vindima em 2015 percebeu que estava perante um vinho superior, depois de o colocar em três talhas "em cama de engaço com a uva ligeiramente esmagada", exclamou: "Nestas ninguém toca", pensou ou disse. E ninguém lhe mexeu até ser engarrafado em janeiro e fevereiro de 2020 para depois estagiar durante cerca de um ano e meio em garrafa. Pedro Ribeiro acrescenta que, entre essas vinhas velhas com mais de 90 anos, as castas principais são Moreto, Trincadeira, Tinta Grossa, Alicante Bouschet, Antão Vaz e Perrum. Para o enólogo, o Júpiter traz consigo "um legado cobiçável para as gerações futuras de conhecedores que apreciam a história, a cultura e a tradição nas suas escolhas vínicas".
As 800 garrafas produzidas já têm destino. Cláudio Martins avança que 200 vão ficar guardadas para futuras provas e para fazerem parte da previsível caixa final com os nove vinhos, outras 200 integram o portefólio da OENO, uma empresa inglesa de investimentos em vinho, e as restantes 400 já estão vendidas ou alocadas. O consultor refere que entre os compradores há clientes particulares, investidores, restaurantes, hotéis, dos quais cerca 30% são portugueses.

Sobre o site "Wines From Another World" e a colocação do código que vem juntamente com a garrafa de Júpiter, Cláudio Martins revela que o número desbloqueia o acesso a um clube onde cada membro tem hipótese de ficar a par dos lançamentos, jantares, parcerias com restaurantes e hotéis de luxo, informações exclusivas, fotografias, vídeos e uma agenda de eventos privados a acontecer pelo mundo. E, ainda, para que "possam pré-reservar os próximos oito vinhos", que vão ser lançados para o mercado ao longo dos próximos oito anos.
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