Legado, o génio na garrafa
Apesar de ser responsável pelo Barca Velha, indiscutivelmente o vinho português mais famoso, não temos qualquer dúvida em afirmar que o Legado é o vinho que mais enche de orgulho a família por trás da Sogrape. Este 2017, que agora chega ao mercado, mostra como há bons motivos para isso.

A maioria dos contrarrótulos nas garrafas não dizem grande coisa. Meia dúzia de jargões vínicos, pensados para impressionar os leigos, e pouco mais. Mas o contrarrótulo do Legado merece especial atenção porque tem uma frase de Fernando Guedes que explica bem a sua razão de ser: "Legado é mais do que um vinho", lê-se, "é o testemunho de um saber que recebi do meu pai, e que agora deixo às gerações futuras da nossa família".
Fernando Guedes sabia que um dia deixaria a Sogrape (que recebeu do pai, transformando-a na maior empresa do setor em Portugal) aos seus filhos, mas aqui tratava-se de outra coisa. Este vinho seria a sua passagem de testemunho, o símbolo do seu amor pelo vinho. O seu "legado", portanto, e teria de ser especial…

Ora, esta história começa numa vinha perdida em pleno Douro. Talvez a mais isolada de todas as propriedades que a Sogrape detém. Uma vinha antiquíssima, mais do que centenária, assente ainda em socalcos pré-filoxéricos o que contribui para aumentar o dramatismo daquele anfiteatro natural… É uma vinha à qual ninguém, hoje, fica indiferente, mas quando a Sogrape adquiriu a Quinta do Caêdo nos anos 1990, foi o presidente da companhia quem percebeu primeiro o seu potencial, e salvou aqueles oito hectares da sede modernista das suas equipas, que pretendiam plantar novas vinhas e aumentar a produtividade.
Depois foi necessário reparar e cuidar essa vinha antiga, um processo que só deu frutos na colheita de 2008, que chegou ao mercado cinco anos depois, em 2012. Nascia assim o primeiro Legado e Luís Sottomayor, hoje e então o diretor de enologia da companhia no Douro, recorda-se bem como "o senhor Fernando Guedes nunca me pediu para fazer um vinho perfeito. Queria mostrar ao mundo o que era aquele terroir, aquela vinha, e é isso que temos tentado fazer ano após ano: meter em garrafa aquilo que a vinha nos dá."

Nesses oito hectares podemos encontrar mais de 20 castas, "e algumas em quantidades muito pequenas, mas todas aportam qualquer coisa de único. É isso que lhe aumenta a complexidade."
2017 também não foi um ano fácil. Foi talvez dos mais quentes de que há memória e isso obrigou a fazer uma vindima muito precoce. "Assim tão cedo só me recordo de 1991 e 1995", conta o enólogo antes de acrescentar "é aqui que uma vinha velha faz toda a diferença. Está tão bem-adaptada ao terroir que consegue ultrapassar estas condicionantes e fazer um vinho com muita frescura e harmonia". Teve, ainda assim, uma "pequena" ajuda das equipas de viticultura, que chegaram a realizar três vindimas diferentes para conseguir apanhar cada uva, de cada casta, no ponto certo da maturação.
Um ano quente produz sempre com mais intensidade e concentração, e mesmo passados estes cinco anos temos a sensação de que este Legado tem muito ainda por revelar. A margem de evolução em garrafa parece incrível, o que não é uma boa notícia para quem não tem o dom da paciência. Ainda assim, junte-o à mesa com um bom prato de carne ou caça e vai perceber a sua genialidade. É que alguns vinhos sabem realmente bem por que são extraordinários, mas outros sabem melhor ainda porque são especiais. Podem nem ser tão certinhos, mas as suas "avarias" contribuem também para o prazer que oferecem.

Dez anos separam a edição original de 2008 deste 2017. Dez colheitas, dez Legados, sendo que os últimos foram já lançados sem a presença do mentor. Fernando Guedes viria a falecer um ano após esta colheita, mas a tocha segue em frente, levada pela família. Como faz questão de afirmar o atual presidente do grupo, Fernando da Cunha Guedes: "É um vinho muito emocional para nós, pois cada edição recorda-nos o meu pai, e tudo aquilo que aprendemos com ele."
Vinhos para abrir janelas à primavera
As marcas do Pico, nos Açores, têm vindo a distinguir-se no panorama dos vinhos portugueses, mas agora também se juntam as uvas do Faial. Frescos e gastronómicos, um verde tinto, um tinto de Trás-os-Montes, dois brancos e um rosé alentejanos. Para acolher a primavera.
KUG Flores, um novo spot gastronómico no Porto
Em plena baixa portuense, numa das mais históricas e movimentadas ruas da cidade, acaba de abrir o Kug Flores. Com a cozinha está a cargo do chef Rui Paula, e há mais de 185 referências de vinho na carta.
Vinhos para celebrar a terra mãe
Em todos os vinhos se comemora a natureza e as suas transformações. Um importante equilíbrio ambiental que importa preservar e fomentar. Uma seleção que promove a paridade: dois rosés do Alentejo, dois brancos dos Açores e da Bairrada e dois tintos do Douro.
2014 é ano de Barca Velha, perdão, Reserva Especial!
De Barca Velha a Reserva Especial, esta é a história de dois vinhos que podiam perfeitamente passar um pelo outro.
Foi uma vida dedicada ao vinho, da qual se reforma com uma trilogia muito especial e um nome algo estranho Quadraginta – em latim, significa 40, representando as outras tantas vindimas em que participou. Domingos Soares Franco faz aqui uma despedida em grande, como sempre sonhou.
Um speakeasy que celebra o glamour dos anos 1920 é a mais recente aposta do Le Monumental Palace, um hotel de cinco estrelas na Avenida dos Aliados. Entre cocktails de autor e clássicos revisitados com um toque moderno, há muito para provar.
António Costa Boal lançou os seus primeiros vinhos alentejanos, depois de anos a produzir em Trás-os-Montes e no Douro. Mas o crescimento não é um assunto encerrado.
The Chocolate by Penha Longa é a nova loja de chocolates, com chocolates artesanais de marca própria, inaugurada, como o nome indica, pelo Penha Longa Resort e localizada nas instalações do hotel.