Prazeres / Sabores

Em março, cinco vinhos à escolha que vale a pena ter em cima da mesa

Este mês há vários destaques, desde logo para dois vinhos da mesma região, ambos com história e tradição. No Douro há um novo rosé para estar atento e dois tintos clássicos do Alentejo e Lisboa.

Foto: DR
Ontem às 16:44 | Augusto Freitas de Sousa

Quinta dos Muros Rosé

O nome de família que lidera o novo projeto na Quinta dos Muros faz lembrar uma casta, ou pelo menos, algo que diga respeito ao vinho. Pedro Mansilha Branco tinha a suas uvas no vale do rio Pinhão a entrar nos lotes da Quinta do Portal, mas agora o plano é fazer três vinhos: um Rosé e dois tintos que serão engarrafados mais tarde. Para já, foi o rosé que Pedro descreve como "com personalidade e caráter, complexidade, mas também uma frescura e juventude, num perfil de elegância e classe". As uvas, colhidas às primeiras horas da manhã no final de agosto, foram prensadas inteiras e decantadas a frio. A fermentação ocorreu em cuba de inox durante 22 dias e, a seguir, 75% do vinho passou 30 dias em barricas novas de carvalho francês. No final do mês, regressou ao inox antes de se engarrafarem apenas 2442 garrafas.

Quinta dos Muros Rosé
Quinta dos Muros Rosé Foto: DR
Ficha: Quinta dos Muros Rosé
Ficha: Quinta dos Muros Rosé Foto: DR

Herdade Aldeia de Cima Garrafeira Tinto 2021

A proprietária da herdade, Luísa Amorim, não tem dúvidas que este vinho é "intemporal e com forte personalidade, reflexo das suas próprias origens e resultado de tradições locais, sendo, por isso, um apelo ao que é genuíno". Para a produtora, "não poderia ter vindo de outro lugar senão deste Alentejo". Por o seu lado, o enólogo residente, António Cavalheiro refere que "este Garrafeira é uma homenagem a um ano vitivinícola extraordinário para o Alentejo". O tinto é ainda uma homenagem às castas Aragonês e Alicante Bouschet e à Serra do Medro, onde está plantada a vinha considerada pela casa a mais emblemática: Vinha dos Alfaiates. A designação Garrafeira é justificada pelo enólogo como refletindo a seleção das melhores uvas, associada ao estágio de 18 meses em balseiro novo de carvalho francês 3000 litros e mais 18 meses em garrafa.

Herdade Aldeia de Cima Garrafeira Tinto 2021
Herdade Aldeia de Cima Garrafeira Tinto 2021 Foto: DR
Ficha: Herdade Aldeia de Cima Garrafeira Tinto 2021
Ficha: Herdade Aldeia de Cima Garrafeira Tinto 2021 Foto: DR

Casa de Rodas Alvarinho 2023

Este vinho marca a estreia da Symington Family Estates na produção de Vinho Verde, resultado de uma parceria com o enólogo Anselmo Mendes. Originalmente construída em 1566, a Casa de Rodas é uma propriedade histórica em Monção adquirida pela família Symington em 2022. Tem 27,5 hectares e uma história com peso na região, uma vez que foi a primeira, em 1920, a exportar comercialmente o vinho Alvarinho com a casta indicada no rótulo. As uvas são colhidas manualmente e transportadas para a adega onde passam por um desengace e prensagem suaves. Após a fermentação, o vinho é deixado a estagiar sobre borras finas durante seis meses. A casa Symington destaca que este branco da Casa de Rodas resulta de um acordo, em 2023, onde as duas famílias "uniram forças para criar uma joint venture dedicada aos Vinhos Verdes, com o propósito de produzir e comercializar vinhos premium que impulsionem o crescimento da região".

Casa de Rodas Alvarinho 2023
Casa de Rodas Alvarinho 2023 Foto: DR
Ficha: Casa de Rodas Alvarinho 2023
Ficha: Casa de Rodas Alvarinho 2023 Foto: DR

Adega de Monção Palheto

O palheto surge da ideia de Armando Fontainhas, presidente e CEO da Adega de Monção, que quis recriar os vinhos de Monção no século XIV, os primeiros a serem exportados de Portugal para Inglaterra. Nessa altura, as uvas que representavam os vinhos eram o Alvarelhão e o Alvarinho, mas como havia poucas uvas brancas misturavam-se com as tintas que eram de maior predominância. O vinho era mais alcoólico e com acidez mais baixa. Os vinhos de Monção, à época, eram bastante apreciados em Inglaterra e havia inclusive uma feitoria no distrito de Viana do Castelo com ingleses responsáveis pela procura deste tipo de vinhos para serem exportados. O vinho permaneceu durante dois meses em processo de decantação, colagem e filtração de desbaste, e esteve em repouso até meados de fevereiro.

Adega de Monção Palheto
Adega de Monção Palheto Foto: DR
Ficha: Adega de Monção Palheto
Ficha: Adega de Monção Palheto Foto: DR

Quinta de Pancas Grande Reserva Tinto

David Baverstock, responsável da enologia da WineStone refere que, no nome, está "a tradição e a excelência da região" e, particularmente, "este Grande Reserva reflete a essência desta quinta num equilíbrio perfeito entre elegância e profundidade, combinando fruta madura com aromas frescos e nuances de bosque". O enólogo salienta que é "um verdadeiro tributo ao terroir e à arte da vinificação". O tinto foi produzido a partir de um lote selecionado das castas Cabernet Sauvignon e Touriga Nacional, passou 12 meses em barricas de carvalho francês, que resultou, para David Baverstock, "num blend de perfil internacional e moderno". As uvas foram desengaçadas com esmagamento muito suave e cada variedade foi vinificada separadamente. Ambas as castas estagiaram 12 meses.

Quinta de Pancas Grande Reserva Tinto
Quinta de Pancas Grande Reserva Tinto Foto: DR
Ficha: Quinta de Pancas Grande Reserva Tinto
Ficha: Quinta de Pancas Grande Reserva Tinto Foto: DR
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