No final dos anos 1990 e início do novo milénio, o Guia Repsol era um companheiro fiel, guardado no porta-luvas do carro, orientando-nos sobre os melhores lugares para comer e descansar. Uma época em que os roteiros eram planeados de forma tradicional, os TomToms uma sensação tecnológica e o Waze uma realidade desconhecida.
Agora, volvidos 17 anos, o guia espanhol regressa a Portugal para destacar a gastronomia lusa, os nossos chefs e restaurantes. "O Guia Repsol Portugal pretende ser o guia local e o prescritor da gastronomia e do turismo de Portugal", explica Armando Oliveira, administrador-delegado da Repsol em Portugal, em comunicado. Mais tarde, no evento de lançamento, no restaurante Canalha do chef João Rodrigues, o gestor alude à recuperação daquela notalgia. "[O Guia] tem a intenção de ser uma reivindicação do prazer de viajar, experimentar, parar e desfrutar uma paisagem, um prato típico, uma vista única. E pretende dirigir-se a todos: viagens em família, com crianças de todas as idades, com animais, com amigos, sozinhos, viagens gastronómicas, enoturismo."
O Guia Repsol celebra 45 anos voltados para a internacionalização, começando, naturalmente por Portugal, onde esteve entre 1996 e 2008. "O Guia Repsol Portugal pretende tornar-se um ponto de encontro da comunidade gastronómica portuguesa e sua interação para crescermos juntos e fomentarmos laços com a comunidade gastronómica ibérica", reforça a diretora do Guia Repsol Maria Ritter.
Surgem alterações: menos elitista e mais acessível, agora em formato digital. As categorias foram reformuladas e o foco passou a ser o consumidor. Aspetos da cozinha, sala, serviço e adega continuam a ser avaliados, mas os restaurantes precisam de atender a novos critérios, pensados com o Culinary Basque Center. Se antes o tipo de talheres, o tamanho das toalhas, além dos preços, eram pontos importantes, hoje faz sentido considerar aspetos como o volume da música e a iluminação para as fotografias.
Semelhante ao Guia Michelin e o seu sistema de estrelas — que, aliás, chegou a Portugal recentemente — o Guia Repsol adota uma classificação própria, baseada em Sóis, com a principal distinção de que não se limita à alta gastronomia. Assim, restaurantes com qualidade e serviço suficientes para serem recomendados a um amigo recebem um Sol. Aqueles que se destacam pela excelência técnica e procura dos melhores ingredientes recebem dois Sóis. Finalmente, a pontuação máxima, três Sóis, é reservada quando a experiência gastronômica justifica a viagem. Existe ainda outra categoria, os Soletes, uma novidade que se refere aos espaços do quotidiano como tascas, esplanadas ou gelatarias, que conquistam facilmente.
A avaliação é nacional, com uma equipa de mais de 20 inspetores locais, distribuídos pelo continente e ilhas, responsáveis pela apreciação de quase 150 estabelecimentos. Com o gosto e conhecimento gastronómico das diferentes regiões, podem ser médicos, músicos, professores, psicólogos, e não necessariamente críticos gastronómicos ou nomes de peso da área. O principal propósito é democratizar gastronomia, valorizar o respeito pelo produto e a inovação na cozinha, mas também dar a conhecer novos talentos do setor, dar foco às mulheres da indústria e manter um compromisso firme com a sustentabilidade.
O Guia Repsol Portugal será lançado em 2025, acompanhado de uma gala prevista para março ou abril, possivelmente fora de Lisboa ou Porto, elogiando a cultura, as tradições e o potencial gastronómico e turístico nacional no seu todo. Entretanto, os inspetores ou descobridores já estão em ação desde o verão, possivelmente sentados numa mesa perto de si…